quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“se eu fosse eu”.

Se eu fosse eu, eu seria diferente! Faria as coisas do meu jeitinho, jeitinho brasileiro que de nada preconceituoso se apropria. O jeitinho de fazer bem. Bem feito e bem feito mesmo! Quando resolvi vir a esse mundo, não sabia que as coisas seriam tão complicadas quanto aparentam ser. Pergunto-me sempre se de fato são tão complicadas? Mas se não fossem não teríamos tantos problemas.
Os meus não são tantos! O meu o que? Meus problemas. Tenho alguns que me tomam todo o tempo, por isso não posso ter o privilégio de ter o meu tempo dedicados a tantos, mas bem, são problemas!
O primeiro deles caminha em direção a um autoconhecimento. Não sei quem eu sou, a verdade é essa. Já fui tantos, que às vezes me confundo em quem realmente quero ser! Já fui um homem que podia voar, cortava os ares em minha capa azul, mas também já fui o monstro do lago Ness, enfurecido espantava a tudo e a todos. Nesse espantar a todos me transformei no “mestre dos magos” daquele desenho Caverna do dragão. Quando fui ele, aprendi a me esconder, só aparecia quando achava conveniente, quase nunca! Me escondi, fugia e fugia.
Hora monstro, hora herói, minha vida me confundia, ou era eu quem confundia minha vida? Transformei-me no incrível Huck, que vivia de uma aparência falseta, onde a verdadeira imagem estava guardada no mais intimo de meu ser. Quem eu era, não tinha definição, tudo mudava, mas a questão continuava. Não fazia sentido me procurar. Mas eu continuava.
Os monstros pareciam estar cada vez mais próximos de minha realidade. Uma realidade que fugia a normalidade da maioria das pessoas. Eu podia voar, podia passar horas debaixo d’agua sem que nada me ocorresse. Eu era incrível! Mas ninguém me via. Eu era invisível para os outros. Esse “eu” era insignificante diante do eu criado por “outros”. A minha realidade pouco importava, o meu desejo e minha vontade se esvaiam perto da imagem criada por eles.
Quem eu era? Quem eu me tornava?
Ninguém, apenas ninguém. Eu queria ser um ninguém. Em ser notado e não ser notado preferiria abstenção. De que vale viver se não podemos ser notados? É como se passássemos pela vida e não tivéssemos importância alguma, passamos e ninguém nos vê. Ma de que vale ser notado e apontado como o que é algo que não é? E se for, e daí? A preocupação com a vida alheia em tons preconceituosos tem sido desastroso.
Os indicadores, os indicadores...
São eles que respondem por tant@s.
São os indicadores que nos dizem quem somos ou o que devemos ser. Não sou eu quem vos fala, sou fruto dos indicadores. Vivemos em função de que? Eu mesmo respondo: vivemos em função dos indicadores, de sermos notados, vistos, apontados.
Não queremos passar despercebidos, mas queremos notação respeitosa.
Tenho vontade de beijar uma mulher, tenho vontade de beijar um homem! Tenho ânsia de seguir outra religião que não a cristã, quero ser Indu! Não creio no sobrenatural, desconsidero um Deus!
Há tanta diversidade, tantas mentes, tantas pessoas, que não enxergamos! O que nós queremos enxergar nos destoa do respeito!
Eu queria ser diferente, queria ser apenas eu. Eu que distou de pré-juízos. Que de efeito só tem a ânsia de um dia desformular as noções de convivência. Tudo é tão predeterminado que esqueci de viver. Esqueci de dizer que eu tenho uma vida para além de “outro”. Que minha bolsa de grife de nada me vale se não for eu quem a quis. A angústia e a depressão continuam aqui, está ao nosso lado. Eu a vejo, vocês a veem? Estranho, vejo luz.
Luz, tudo está clareando. Que não seja o fim de um túnel, não quero ir ainda.
Não não é um túnel, é o sol. O astro rei, que se aproxima numa imensa veloxidade. Ele fala, e me diz que se eu fosse eu, de verdade, seriamos mais amigos e os meus dias seriam mais iluminados.
Mas como posso ser eu? Como posso fugir da pressão, dos dizeres e dos mal dizeres? Como posso fugir dos indicadores?
Apenas seja vocÊ!

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