sexta-feira, 1 de março de 2013


E toca o som majestoso dos atabaques,
Que me fazem estremecer,
Que me fazer erguer,
Que me fazem dormir.
E toca o som dos atabaques,
Da floresta densa,
Com os passos ritmados
Na imponência de um rei.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

CONTRA OS FALATÓRIOS DE CORREDORES E A DISSEMINAÇÃO DE UMA IMAGEM DISSOCIADA. (Por Alisson Nogueira)


Os últimos tempos se mostraram bastante conturbados. Estamos envoltos em grandes discussões de ordem metodológica que deveriam permear o campo da práxis, no entanto nos deparamos com argumentos que distorcem a realidade. Tento sinceramente compreender em que consiste esta organização desenfreada que se materializa em disputas personalizadas. Cuidado redobrado! A opinião pública é colocada em contestação e, aparentemente, os regimes autoritários voltam à ação.
 Preocupamo-nos diariamente com os nossos problemas reais que destoam do imaginário coletivo de grande parte dos que compõem o cenário acadêmico subalternizador.  Perguntamo-nos qual o sentido de estudar a história das classes e dos meios de coerção se passamos a compor um grupo que ocupa o papel de objetos coercitivos? Em que luta estamos “embrenhados”? A cúpula que se formou estruturam o novo manual de conduta, o AI meu Deus, e onde nós estamos de fato?
Cuidado você não é livre para pensar, sua fala é cerceada em prol de algo transcendente à compreensão espiritual, talvez o “homem do anel” tenha a cura ou ao menos um papel. Representamo-nos diante da irrealidade, imaginamos que todos devem ser dotados de atributos que deveriam, eu disse DEVERIAM, compor os pré-requisitos da seleção, mas a realidade é outra. A escola básica não prepara, não ensina, não progride. O que encontramos é um retrocesso ou uma estagnação no que se refere ao ensino e aprendizagem. A irrealidade imaginária presente nas massas encefálicas de determinados grupos da universidade não conseguem olhar para além dos muros. A reprodução imagética da escola pública é repetida com base nos discursos de seus tempos de escola.
Hoje o Brasil tem enfrentado uma grande crise no que se refere à educação, isso todos sabem. Mas acredito que quando nos referimos a esse problema, nos falta encaminhamento, qual ação a ser tomada? Muitos críticos, muitos intelectuais, doutos, PHDS, enfim, muitos têm criticado o ensino, mas não desenvolvem o seu papel real de transformadores sociais. Desde o pós-independência, percebemos que são muitos os homens das letras que desenvolvem suas pesquisas, seus estudos em prol de um grupo minoritário, um grupo que tem tudo e pede mais.
Quando nos deparamos com pessoas que desenvolvem pesquisas, nos falam da história do nosso país ressaltando a importância da mesma para a sociedade e levando-nos a encará-la como uma ferramenta de transformação social, nos frustramos quando percebemos que os discursos destoam da ação. Como posso falar de algo que me é alheio? Como posso dizer que formo professores conscientes da realidade e de seu papel formador, se não consigo me reconhecer enquanto educador? É extremamente lamentável, repito mais uma vez, que as disputas tenham trilhado esse caminho.
As palavras não devem ser medidas, seu sentido pode ser o mais diverso possível, uma frase pode ser compreendida de várias maneiras, assim como uma comédia não fará todos rirem. As intenções do receptador podem resignificar cada letra, assim como as atitudes podem ser interpretadas de várias maneiras. A questão é que ao pensarmos as afrontas que nos são direcionadas penso primeiro no que as desencadeou. Qual o problema da educação? Qual o problema da violência? Os intelectuais costumam cometer sempre o mesmo erro, querem entender a consequência e não a causa. Embora a causa seja bem mais fácil de combater, as pessoas, por maldade, por insegurança, por medo ou mesmo por má vontade, se desgastam em combater as consequências. As causas partem de nós mesmo, de nosso comprometimento com o que defendemos com o que nós somos e com o que nós acreditamos.
Assim intelectuais, repensem si mesmos e o seu papel formador dentro da universidade, vocês não são apenas intelectuais, são professores, embora pareçam ter esquecido. A formação de novos professores é parte de seu ofício e o papel dessa parte de como estão aqui. Só lembro que, mesmo que haja professores que não compreendem a realidade brasileira da escola pública e apliquem um método de ensino da terra de Nárnia, ou mesmo que achem que podem fazer o que bem entenderem com os estudantes exaltando o seu poder, ou acham que tem o direito de rebaixar ou humilhar qualquer pessoa, sempre existirá aqueles que lutam contra a subalternidade e mesmo que sejam aplicados mecanismos com o intuito de criminalizarem e deslegitimar a luta, esta sempre encontrar-se-á lá. Pois o Brasil está em construção e as lutas são duras, complicadas, mas sempre haverá pessoas de coragem dispostas a romper com a hegemonia da elite. 

Não é de certo a melhor maneira de se pensar o que fala, mas aprontemo-nos.
Diante das palavras que seguem, as imagens vagantes em minha cabeça vão sendo materializadas. Tão disformes de uma normatividade, elas ganham espaço, alcançam vôo, somem!
Nenhum jamais conseguiu ver, ouvir ou dizer quem eram elas.
E será que estou grávida? Perguntou uma senhora de 76 anos... Cômico, não estivesse ela tão séria!
E as estrelas que sempre, tão, tão cheias de si, por terem brilho próprio se apagam.
E onde foram parar as minhas certezas?
Deixei de ser eu!
E agora quem poderá me ajudar?
Eu! Mi! Yo! I! Yo, mi, eu, I.
Ninguém!
E sumiu, de novo e de novo e de novo!! E continua a sumir cotidianamente.
Achei o meu segredo!
E onde o tinha perdido? Não sei, havia perdido!
Nas cores fantásticas do arco-íris encontro a beleza,
Nas sete faces de cada um, encontro a natureza
E onde foram parar os anseios?
No lugar onde se escondeu o, “onde não entendeu que somos escolhas”?
E a ingenuidade... hum sei, ingenuidade!
Por trás de carapuças há cabeças, tão limpas!
E eu fui embora, embora!
E como disse certa feita, alguém que não sei quem:
“Me da teu tempo e te darei minha arte”
Sem tempo não há negócio!

Ensaiando uma intervenção!!!

Me digam senhores. Verdadeiramente, digam-me o que querem esses homens, digam-me o que querem. Quem são?
 Agentes de segurança de inteligência nacional.
Ou... Ou. Problemas a vista imagino. Agencia de segurança de inteligência nacional? Nunca houvi falar. O que eles querem? Saber de segredos? Mas que segredos? Eu sou um livro aberto.
As vezes os nossos segredos residem na abertura que damos ao mundo.
Eu não sei qual a abertura você dá, mas a que eu dou não da motivo nenhum para esses agentes aparecerem por aqui. Na realidade, não é segredo nenhum a minha abertura.
Que segredos você tem! Nossa, não sabia que eram tão profundos.
Eu já lhe disse que não é segredo nenhum, logo não são razoes para a convocação desses agentes.
Sim senhor, mas talvez não seja esse o motivo pelo qual eles estão aqui.
E seria pela abertura de quem? Deve ser um abertura escondida, nesse mundo está cheio de aberturas incubadas que se prendem das maravilhas do escancaramento.
Senhor, do que o senhor está falando? o senhor usa expressões ambíguas, que não nos permitem compreender com exatidão a que se refere.
Ho meu caro, a ambigüidade em minhas palavras fazem parte da intenção por trás delas.
E que intenção seria essa?
Se lhe contasse, não teria sentido tecer esse dialogo.
O senhor me confunde cada vez mais.
Você é um, cabeça de vento.
Vento púrpura, na voz suave de sua deslumbrante pessoa
Palavras adocicadas que ressoam, e ressurgem em seu diálogo.
Sem medo de desvelar o inexorável
Tremo diante de incertezas
Que rondam o imaginário em minha mente
Cada vez mais próximo e num piscar de olhos, entrelaçados entre
Um beijo molhado, respiração ofegante, desejo, ardor, fogo!
Deitados em um colchão velho ressurgem em pensamentos as dúvidas e incertezas
Daquela...
Movimentos constantes num vai e vem
Enobrecem o pecado inaceitável.
Em tamanhos desproporcionais,
O ardor e o prazer se fazem presentes
Em momentos, gritos, gemidos e palavras
Tudo acaba, e os pensamentos retornam ao que eram antes.
Não me sai da cabeça.

O senhor me confunde cada vez mais, o que quis dizer com esses versos? O que quis dizer?
O que aparentemente aparenta parecer ou ser, não é. E o que pensamos inexistir faz parte do intimo do individuo. É so babobeseira, só para relaxar!
Relaxar? O senhor pensa em relaxar? Mesmo com esses tais agentes, correndo atrás de sua pessoa?
Deixem que corram atrás, na realidade ficarei paradinho esperando que se aproximem, evitarei o seu cansaço. Se chegarem diga onde estou e que estarei pronto, aguardando a chegada deles. Ansiosamente!
A senhor, não consigo entende-lo nunca conseguirei.
Claro seu cabeça de vento, se parasse um pouco e observasse ao seu redor, perceberia que eles estão me perseguindo porque eu sou uma diva, um galã. Na realidade todos sabem, me amam ou me odeia, pois falo demais.
Isso eu sei senhor, as vezes gostaria que se calasse. Eu sempre me pergunto por que no final de todas as noites o senhor está na cadeia.
Eu também sempre me pergunto, e é isso que me leva para atrás das grades.
Você se perguntar o leva para atrás das grades? É a idade senhor....
Não me chame de velho, estou na flor da idade
Só se for flor de defunto.
Não me interrompa.
E eu estou lhe interrompano? Olhe senhor, fale logo vá...
Eu esqueci, seu... seu..... há sim. O fato de perguntar me leva a mais perguntas. E quanto mais contexto mais  fico fu..zilado. entende? Ninguém gosta que questionem o que elas acreditam veemente.
Claro, você também quer duvidar de tudo! Você as vezes parece um daqueles rebeldes, maconheros dos anos 80.
Olhe primeiro, olhe o jeito como você fala comigo. Meu querido, é desse modo que você vê aqueles que tornaram publico os seus questionamentos e contextaram um sistema político repressivo? Realmente a mais para ser perguntado. Entenda uma coisa neguinho, eu me perguntei a minha vida toda quem eu era. Assumi a aparência que eles, esses mesmos que nos assistem nesse momento, é vocês, queriam.  Formei-me, ou seria DEFORMEI, porque vocês  não me admitiam na rua, nos espaços públicos.
Não to entendendo senhor.
É essa moral hipócrita que me diz quem devo ser. “Meu filho é macho”, “hii, evem o boiola...” qual é viado”.... ridículo
Eu sei senhor... sei muito bem como é.
E quando eu  abri as portas do armário meu querido... abri o verbo, abri a boca, abri a mente, abri o chão(abaixa-se deixando a bunda para cima)  e .... agora pelo visto,  abri a calça.
I senhor...  nessa sua abertura de calça chegaram os agentes e pelo visto o levarão. Porque sair do armário ta proibido. Imagine o que eles vão falar da sua opção sexual?
Opção? E quem disse que homossexualidade é opção? Nós não escolhemos sentirmos atraçõs por outros homens. Voces, hetero escolheram ser heteros... não. Nós nascemos assim, e diante da diversidade de cores, de formas , em fim diante da diversidade humana nós somos apenas mais um. E esse mais um pede respeito. Não pedimos aceitação, não pedimos compreenção, só não queremos exclusão. Por que ser gay é tão normal quanto ser hetero. O que faz com que vocês pensem, heteros, que são melhores do que nós? O que faz vocês pensarem que nós somos anormais? Já pararam para pensar que vocês podem ser a anomalia?
Mentalidade senhor, mentalidades. Nos sabemos muito bem que essa imagem foi plantada na sociedade, é a tal da moral.
Moral, isso existe? Diante de tanta bandalhera dentro da camara dos deputados, dentro do senado federal, dentro de cada camada da sociedade, dentro da segurança, da saúde, da educação e essa moral vem se preoculpar em julgar os que são caracterizados como diferentes? Baboseira viu! É por isso que a moral nacional está falida, ainda estamos utilizando como base a ética e moral medieval.
É verdade senhor.
Verdade! É essa verdade que criou os skiheads, a homofobia, a intolerância religiosa. Foi essa questão de certo e errado.
Mas venhamos e convenhamos não é senhor, homem com homem é nogento.
E duas mulheres? O que você acha?
Aí é massa, ainda mai se eu estiver no meio.
Essa é a moral que você fala? Meu querido todos somos diferentes, o que deve haver de igualdade entre nós é a prática do amor e a consciência  de que é este sentimento que nos fará viver em comunhão com a terra, com os de nossa espécie, com os outros animais e com Deus.
Não venham me falar que ser gay é ser anormal se não vou mandar vocês pra quele lugar.

“se eu fosse eu”.

Se eu fosse eu, eu seria diferente! Faria as coisas do meu jeitinho, jeitinho brasileiro que de nada preconceituoso se apropria. O jeitinho de fazer bem. Bem feito e bem feito mesmo! Quando resolvi vir a esse mundo, não sabia que as coisas seriam tão complicadas quanto aparentam ser. Pergunto-me sempre se de fato são tão complicadas? Mas se não fossem não teríamos tantos problemas.
Os meus não são tantos! O meu o que? Meus problemas. Tenho alguns que me tomam todo o tempo, por isso não posso ter o privilégio de ter o meu tempo dedicados a tantos, mas bem, são problemas!
O primeiro deles caminha em direção a um autoconhecimento. Não sei quem eu sou, a verdade é essa. Já fui tantos, que às vezes me confundo em quem realmente quero ser! Já fui um homem que podia voar, cortava os ares em minha capa azul, mas também já fui o monstro do lago Ness, enfurecido espantava a tudo e a todos. Nesse espantar a todos me transformei no “mestre dos magos” daquele desenho Caverna do dragão. Quando fui ele, aprendi a me esconder, só aparecia quando achava conveniente, quase nunca! Me escondi, fugia e fugia.
Hora monstro, hora herói, minha vida me confundia, ou era eu quem confundia minha vida? Transformei-me no incrível Huck, que vivia de uma aparência falseta, onde a verdadeira imagem estava guardada no mais intimo de meu ser. Quem eu era, não tinha definição, tudo mudava, mas a questão continuava. Não fazia sentido me procurar. Mas eu continuava.
Os monstros pareciam estar cada vez mais próximos de minha realidade. Uma realidade que fugia a normalidade da maioria das pessoas. Eu podia voar, podia passar horas debaixo d’agua sem que nada me ocorresse. Eu era incrível! Mas ninguém me via. Eu era invisível para os outros. Esse “eu” era insignificante diante do eu criado por “outros”. A minha realidade pouco importava, o meu desejo e minha vontade se esvaiam perto da imagem criada por eles.
Quem eu era? Quem eu me tornava?
Ninguém, apenas ninguém. Eu queria ser um ninguém. Em ser notado e não ser notado preferiria abstenção. De que vale viver se não podemos ser notados? É como se passássemos pela vida e não tivéssemos importância alguma, passamos e ninguém nos vê. Ma de que vale ser notado e apontado como o que é algo que não é? E se for, e daí? A preocupação com a vida alheia em tons preconceituosos tem sido desastroso.
Os indicadores, os indicadores...
São eles que respondem por tant@s.
São os indicadores que nos dizem quem somos ou o que devemos ser. Não sou eu quem vos fala, sou fruto dos indicadores. Vivemos em função de que? Eu mesmo respondo: vivemos em função dos indicadores, de sermos notados, vistos, apontados.
Não queremos passar despercebidos, mas queremos notação respeitosa.
Tenho vontade de beijar uma mulher, tenho vontade de beijar um homem! Tenho ânsia de seguir outra religião que não a cristã, quero ser Indu! Não creio no sobrenatural, desconsidero um Deus!
Há tanta diversidade, tantas mentes, tantas pessoas, que não enxergamos! O que nós queremos enxergar nos destoa do respeito!
Eu queria ser diferente, queria ser apenas eu. Eu que distou de pré-juízos. Que de efeito só tem a ânsia de um dia desformular as noções de convivência. Tudo é tão predeterminado que esqueci de viver. Esqueci de dizer que eu tenho uma vida para além de “outro”. Que minha bolsa de grife de nada me vale se não for eu quem a quis. A angústia e a depressão continuam aqui, está ao nosso lado. Eu a vejo, vocês a veem? Estranho, vejo luz.
Luz, tudo está clareando. Que não seja o fim de um túnel, não quero ir ainda.
Não não é um túnel, é o sol. O astro rei, que se aproxima numa imensa veloxidade. Ele fala, e me diz que se eu fosse eu, de verdade, seriamos mais amigos e os meus dias seriam mais iluminados.
Mas como posso ser eu? Como posso fugir da pressão, dos dizeres e dos mal dizeres? Como posso fugir dos indicadores?
Apenas seja vocÊ!

Há coisas que acontecem na calada da noite, quando ninguém te olha ou te quer olhar. Há momentos em que apenas nossos olhos são capazes de enxergar a dor ou o incomodo que tudo pode ser para nós. São nesses momentos que conseguimos de fato perceber o quanto nossos erros ou nossas convicções são tão pequenos. É quando estamos sozinhos com nós que nos vemos.
Eu não pretendi estar só mas tenho que confessar: a solidão me satisfaz, me completa na medida do possível. Pensar acerca das construções que me organizaram me fazem ampliar meu olhar e enxergar quem são os “eu”. Não é suficiente entreolhar os acometimentos alheios que tentam de todas as formas construírem aquela visão de si sobre outro. Não concebo esta forma de tratamento, prefiro silenciar os encarares alheios, não que isso não me incomode, de fato incomoda e muito, mas não quero me perder de mim. Não tenho poderes suficientes para pautar em cima do comportamento alheio, não sou juiz com poderes suficientes para julgar a moral, ou a ética do outro, sou suficiente para fazer de minhas ações escolhas políticas e pautar, aí, o que encaro como poder de escolha individual. Todos podemos dizer quem somos, independente dos achismos. No entanto não nos satisfaz ao perceber que o outro não nos constrói como construímos nós mesmos. O “eu” é diferente, não há conformidade nas imagens que são erguidas em alicerces diferentes.
Nem um homem é uma ilha, já dizia Vygotsky, mas isolar-se faz parte da própria construção humana. O ser sozinho pode perceber o outro de um modo mais eficaz, do que o que vê o tempo todo, mas se nega a enxergá-lo como sujeito de sua própria vida, com liberdade de escolha, mesmo que tratar de liberdade não seja algo tão “livre”.
No tocante a concepção sobre o outro fui levado a vivenciar experiencias que foram difíceis de encarar como realidade, como algo que participou de minha experiencia, de meu caminho. Pude presenciar ações diversas sobre o outro, onde o que impede-nos de ver no bem estar do outro (quem procede dos mesmos lugares que nós) a possibilidade de poder me construir e percorrer caminhos que oportunizem meu  sucesso. Fui obrigado ver que nem sempre o sentido de coletividade, como tanto é exaltado, não é preponderante quando questões que nos tocam, e unicamente a nós, é levado em consideração. Destoa de meu pensamento perceber a coletividade apenas em momentos específicos. Quando é conveniente evoco o tal “coletivo”, mas quando se fala de ser coletivo, mesmo que individualmente, as coisas mudam de figura. Não, não quero isso, sou materialista, consumista, individualista ao extremo, mas não nego nem pretendo negar isso, tento refletir sobre essas coisas o tempo todo, mas não deixo esvair como se fosse água suja na sargenta aquilo que entendo enquanto coletividade, não!
Fui capaz de abrir mãos de muita coisa, que efetivamente detinham poder em minha vida, de momentos que deveriam ser únicos e que sei não voltarão mais, em prol de uma coletividade. Mas essa coletividade eu encaro no meu dia a dia, mesmo na minha individualidade.
Está na hora de fugir, de abrir mão da coletividade, talvez seja isso para correr atrás de mim, que se perdeu. Não é de mim o descompasso entre pensamento e palavras e/ou ação. Condigo, ao menos tento, com meus pensamentos, mesmo que conflitantes ao máximo  Mas havemos de convir que não é fácil olhar para si, ver suas posturas, sua forma de proceder, e depois perceber que alheios constroem outra visão de si. Não, não é tentativa de agradar a todos, é necessidade de proceder coerente consigo mesmo, coisa que falta a uma série de pessoas que mal conseguem dar conta de seus olhares preconceituosos, tortuosos cheios de “querer saber”, mas que repetem, repetem, repetem e refutam o que demonstram ser o que querem. Pessoas que circularão, caminharão mas que mais cedo ou mais tarde retornarão, mas é por esse momento de retorno que  anseio.
Há apenas conveniência e isso é preocupante pois foi na conveniência que tudo começou;

sábado, 21 de julho de 2012

BASTA!

No desejo inconsciente, a vida me apresentou o que é o temor, o anseio e mais do que tudo, o amor. Amor? Amor! Arg. Amor. Amor que confundido entre os mais prolixos desejos, saciáveis e insaciáveis, que aos montes destoaram de um sentido meticuloso, detentor de um poder sobrenatural, consistente e consciente na produção do sentido real da orientação moral de uma sociedade. Eu me entreguei aos ditames dessa sociedade, aprisionei-me em mim mesmo. Até o dia que os anseios foram tantos que os ditames tornaram-se ultrapassados para o que de fato estava ocorrendo eu meu ser.
Ha! A liberdade, tão buscada liberdade. Era o ideal, o fato, a vontade o que de eficaz poderia me ser apresentado. Quando mais nada importava: Moral, religião, política, outros, Nada! Pude sair de mim-social, para ser eu. Pude me desprender de tudo aquilo que me fizeram ser, aprendi na prática que podia expressar meus desejos e anseios sem me preocupar com os achismos, o meu bem estar não dependia do bem estar do outro.
Mas que de tão intensa não seja tão rápido. Esperei tanto , busquei tanto dizer sobre a minha atração que não me era possível explicar. As coisas aconteceram como, nem sei ao certo. Os olhares recíprocos, que não eram tão decifráveis. Testando os meus limites e as vezes os do outro, tudo é novo, tudo é lindo, tudo é bom! BASTA! 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

DESABAFO - HIPOCRISIA.

Preciso sair desta prisão. Preciso me refugiar em algum lugar que eles não venham atrás de mim. Parece psicose, mas não é. Eu sinto a vontade de fugir, só. Não adianta tentar lutar contra essas coisas que eu sei que não dá certo. É a fuga que resolve só a fuga. Há um movimento de repulsa muito grande aqui, é como se fossem contrárias a força que emana de mim e a que emana da casa, ou dos que a habitam, não sei. Repele minha pele, minha boca, meus sentidos, meu espírito.  A repulsa é tanta que só de imaginar em ter que ouvir e estar no mesmo ambiente que as pessoas, já me dão náuseas.
Ouço coisas, tento de todo modo ser e estar alheio a tudo, mas não consigo. Sinto que incomodo a tantos que me acolhem! É, sei que não devo fazê-lo, mas me angustia ficar assim. Tenho que aprender a me virar, sei disso também, mas aprendi que ninguém é uma ilha, mas sinto que precisamos aprender a ser. Tudo me angustia, não sei se são os outros ou sou eu de fato o problema. Minha sala de aula me enoja de tal forma que nem sei explicar. Sinto a hipocrisia com um gosto tão amargo, mas tão amargo que nem sei. Hurgr.... é nojento!
Não sou exemplo, nem me tomo enquanto tal, mas sei que minhas ações caminham no caminho da ignorância. Ignorância, no sentido de ignorar, mas não por não ter conhecimento, mas justamente por perceber que as nossas ações devem condizer com nossos argumentos. Jamais me verão defender algo que não acredito, nunca terão este prazer, pois antes de defender algo, esse algo tem um trabalho muito grande de me convencer que aquilo é importante e significativo. Eu tenho que acreditar naquilo para poder combater qualquer coisa que vá de encontro a ele. O que me incomoda são as ações contrárias a isso. Pois daí, caímos na hipocrisia, na maledicência e nas mascaras.
Não quero isso pra mim. E me incomoda que as pessoas ajam dessa forma, pois assim caímos no desuso da justiça. Pois balançaremos a cabeça afirmativamente para tudo que nos disserem, e as coisas não devem funcionar dessa maneira. Eu quero ter a liberdade de dizer não, de dizer que as coisas não podem figurar desta maneira desprezível que é regida pela hipocrisia. Eu quero poder dizer que há outra forma de fazer e que respeite as necessidades de cada individuo, pois ninguém é igual. A sua disposição e sua disponibilidade de fazer determinada coisa não significa que todas as pessoas tenham igual.
Sinceramente, estou cansado da individualidade que tem sido exacerbadamente difundida no campi, to exausto de ter que rebater essas coisas, de ter que tentar mostrar para esses caras machistas disfarçados, feministas e ao mesmo tempo estupradores, pois é isso que eles fazem , pois se fecham em discursos bonitinhos TRANSCRITOS de vídeos da internet, que eles falam só por falar. Eu estou indignado com os educadores que estão sendo formados nessa universidade, pois estou vendo futuros professores que se pautam em quantidade de conteúdo e que em nada profundo conseguem se debruçar, pois são rasos em suas personalidades, rasteiros na compreensão efetiva, não se fundamentam e se tornam repetidores de discursos que nem eles mesmos conseguem estabelecer relação com a cotidianidade. “E quem somos nós? Homens e mulheres LATTES?”.
Eu vejo o RACISMO, a HOMOFOBIA, o RACISMO HOMOFÓBICO, o MACHISMO, a CRIMINALIZAÇÃO DE MOVIMENTOS SOCIAIS e a REPETIÇÃO DE DISCURSOS OPRESSORES HEGEMONICOS dentro de minha sala de aula: um curso de LICENCIATURA EM HISTÓRIA na Universidade Estadual de Feira de Santana.
Eu sinto os olhares excludentes, eu vejo os sorrisos hipócritas de um grupo que não se coloca que não se porta que não se respeita. Mas que se debruça sobre as diversas questões de respeito mutuo, de mudança, do debate de classes. Mas que em uma outra aula defende o contrário, que diz sim a tudo que nos é atribuído, sejam discursos preconceituosos, racistas, sexistas, não importa.
Eu até entendo, é difícil na idade mental que nossa sociedade se encontra conseguir se posicionar e de fato arcar com o posicionamento. Desculpe, acho que me equivoquei o fato de estarmos sempre em cima do muro já é um posicionamento, mas só alerto para uma coisa: uma hora será chamada a escolher um dos lados e o que receio é que não sejamos capazes de defendermos uma opinião própria, que condiga com nossos desejos e tendamos pela repetição de um sistema excludente. E o primeiro posicionamento nunca se diferenciou do ultimo!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ato de ver um ato!

Ouve irmã o som dos batuques?
Ouve como os agogôs definidos em seu alto grau,
De belicosidade
Disforme dos violinos
Da corte lusa?

Ouve amada, ouve como os atabaques tocam!
Em consonante gingado
De pretos que conquistam...
Tocam sem atabaques,
Tocam sem agogôs

Mas entoam a ancestralidade
Nos seus gritos
Nos seus gemidos
Na sua batalha diária!

Entoam as mais belas histórias de resistência
Contam-nos com lágrimas em seus rostos
Da dor de ter que deixar, a cada dia,
Nas páginas policiais um irmão
Ser estatística. Lá está “mais um preto jogado no chão”.
E onde ele estava?

Fadados a um destino funesto!
Sobrevivem a cada ação repressora,
A cada movimento opressor.
Com as palavras que são sufocadas
Pelo enforcamento.
Pelo olhar de nojo, da tal no canto.

“isso já ta virando palhaçada”, ouço em cada corredor,
Em cada viela que se fala da resistência.
Quando entramos num espaço
Os olhares nos notam.
“Nego é sempre vilão...”.
O que você quer aqui?
Cadê a identificação?
Esse não é o seu lugar.

Felizmente estamos aqui a muito,
E não pretendemos sair,
Somos fortes
E resistimos.

terça-feira, 6 de março de 2012

Pelos corredores

Foi numa noite, como qualquer outra. Bem, poderia ser uma tarde. As palavras que foram proferidas ditaram as impressões e opiniões que habitavam o íntimo de cada um deles que sentavam naqueles bancos. Estes pensamentos não foram decodificados na forma de palavras objetivas. Pôde-se ler nas entrelinhas, através dos olhares julgadores da moral alheia, a condenação.
Eles o ignoravam, como se sua presença incomodasse. O simples fato de sua presença gerava desconfiança e as palavras deveriam ser “moderadas”, “[...] não tem problema, isso aqui pode falar”. O discurso proferido deveria ser orientado de modo a não gerar qualquer interpretação que os condenassem, como se ele fosse fazer tal coisa! Traíra, traíra você ta na mira...
As palavras não disseram, mas os olhares, e o corpo falaram: “Você não é o que você diz”. E o que ele diz? Silêncio. Apenas o silencio pode dizer o que não pode ou não deve ser dito em palavras. Não importa as interpretações alheias, o que de fato vale é seu autoconhecimento que deve fundamentar o que nós sabemos de nós.

domingo, 2 de outubro de 2011

Nem se despediu de mim, vim-me embora
E a dor que carregava ,veio junto.
Quem disse que a dor não acompanhava o fardo de um dia
Ter de ir?
Santa ignorância a minha de pensar
Que um dia ouviria um adeus.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SARAU II - Homofobia

Bem pessoal, o tema do nosso sarau este mês será a Homofobia. E para que criemos um clima de discussão antes, disponibilizarei aqui alguns videos que nos faz pensar o que é essa prática, este não nos dá respostas como nenhum dará, mas nos faz pensar sobre nossas atitudes.... UM grande Abraçooo.
Alisson Nogueira









O site da TVE- BA nos da uma descrição do vídeo. abaixo do mesmo disponibilizo esta descrição.

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Descrição

O quadro Ponto G conversou com professores da rede pública de ensino para saber o que eles acham do kit Escola Sem Homofobia criado por entidades ligadas aos direitos LGBT’s.

O kit, composto de caderno, pôster, carta ao gestor da escola, seis boletins (boleshs) e cinco vídeos, será distribuído oficialmente para os professores de 6 mil escolas públicas a partir do segundo semestre deste ano. 

Considerado peça-chave do kit, o caderno é um livro de 165 páginas, no qual o educador encontra referências teóricas, conceitos e sugestões de atividades e oficinas para se trabalhar o tema da diversidade sexual nas escolas.

Publicada em 2004, a pesquisa da Unesco revelou, por exemplo, que um quarto dos estudantes entrevistados não gostaria de ter um colega homossexual na mesma sala. 

De acordo com a pesquisa qualitativa realizada pela Reprolatina em 2009 em 11 capitais brasileiras, evasão escolar, tristeza, depressão e até casos de suicídio são observados entre a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) como consequência de um ambiente escolar homofóbico.

Ousada e polêmica, a proposta do material educativo atende a uma demanda das entidades que lutam pelos direitos LGBTs e também dos educadores – que não encontravam subsídios para trabalhar o tema em aula – além de estar articulada com políticas públicas de combate à homofobia de maneira geral.
Cena do vídeo "Encontrando Bianca" do Kit Escola Sem Homofobia.

A ausência de aulas sobre educação sexual que contemplem a diversidade também é apontada como um dos fatores que contribuem para a permanência da homofobia nas escolas.

Segundo especialistas, a educação sexual disponível para a maioria dos estudantes é essencialmente heteronormativa, ou seja, reproduz um modelo que coloca a heterossexualidade como norma, o que acaba classificando outras manifestações de gênero, amor e sexualidade como desvios.

Além de casos de violência física, uma forma quase invísivel de violência nas escolas – que inclui o isolamento, rejeição, brincadeirinhas e piadas – também costuma marcar os jovens homossexuais para a vida toda.

O quadro é ainda mais grave quando se analisa a situação de estudantes transexuais e travestis. Segundo especialistas, não há espaço para eles na escola. Além de o preconceito ser maior, questões como o uso do nome social na chamada ou até mesmo situações prosaicas como qual banheiro o jovem travesti deve usar pesam e acabam contribuindo para o abandono da escola.

Atualmente o material está sob análise do Ministério da Educação (MEC), devido algumas polêmicas sobre a implantação do kit nas escolas. Para a pesquisadora em sexualidade e professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Claudiene Santos, a polêmica existe porque ainda há a crença de que a homossexualidade pode ser ensinada ou incentivada pela escola. 

“Na verdade, o que está se discutindo é uma diversidade que já existe, não foi a escola que inventou. Há um temor da sociedade quando se mexe naquilo que se entende como padrão ou o que chamamos de sexualidade hegemônica”, explicou.

Mesmo com as resistências, ela acredita que o material chegará aos professores e alunos. “A escola é um espaço privilegiado para a promoção dos direitos humanos, mas há uma dificuldade do professor em ter acesso a esse conhecimento.

Muitas vezes, há omissão por parte das escolas em coibir qualquer tipo de discriminação, que termina em práticas violentas. Na medida em que você não faz nada, você concorda com aquilo [a homofobia]“, afirmou.