Pular para o conteúdo principal

Pelos corredores

Foi numa noite, como qualquer outra. Bem, poderia ser uma tarde. As palavras que foram proferidas ditaram as impressões e opiniões que habitavam o íntimo de cada um deles que sentavam naqueles bancos. Estes pensamentos não foram decodificados na forma de palavras objetivas. Pôde-se ler nas entrelinhas, através dos olhares julgadores da moral alheia, a condenação.
Eles o ignoravam, como se sua presença incomodasse. O simples fato de sua presença gerava desconfiança e as palavras deveriam ser “moderadas”, “[...] não tem problema, isso aqui pode falar”. O discurso proferido deveria ser orientado de modo a não gerar qualquer interpretação que os condenassem, como se ele fosse fazer tal coisa! Traíra, traíra você ta na mira...
As palavras não disseram, mas os olhares, e o corpo falaram: “Você não é o que você diz”. E o que ele diz? Silêncio. Apenas o silencio pode dizer o que não pode ou não deve ser dito em palavras. Não importa as interpretações alheias, o que de fato vale é seu autoconhecimento que deve fundamentar o que nós sabemos de nós.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONTRA OS FALATÓRIOS DE CORREDORES E A DISSEMINAÇÃO DE UMA IMAGEM DISSOCIADA. (Por Alisson Nogueira)

Os últimos tempos se mostraram bastante conturbados. Estamos envoltos em grandes discussões de ordem metodológica que deveriam permear o campo da práxis, no entanto nos deparamos com argumentos que distorcem a realidade. Tento sinceramente compreender em que consiste esta organização desenfreada que se materializa em disputas personalizadas. Cuidado redobrado! A opinião pública é colocada em contestação e, aparentemente, os regimes autoritários voltam à ação.  Preocupamo-nos diariamente com os nossos problemas reais que destoam do imaginário coletivo de grande parte dos que compõem o cenário acadêmico subalternizador.  Perguntamo-nos qual o sentido de estudar a história das classes e dos meios de coerção se passamos a compor um grupo que ocupa o papel de objetos coercitivos? Em que luta estamos “embrenhados”? A cúpula que se formou estruturam o novo manual de conduta, o AI meu Deus, e onde nós estamos de fato? Cuidado você não é livre para pensar, sua fala é cerceada em prol de algo…

DESABAFO - HIPOCRISIA.

Preciso sair desta prisão. Preciso me refugiar em algum lugar que eles não venham atrás de mim. Parece psicose, mas não é. Eu sinto a vontade de fugir, só. Não adianta tentar lutar contra essas coisas que eu sei que não dá certo. É a fuga que resolve só a fuga. Há um movimento de repulsa muito grande aqui, é como se fossem contrárias a força que emana de mim e a que emana da casa, ou dos que a habitam, não sei. Repele minha pele, minha boca, meus sentidos, meu espírito.  A repulsa é tanta que só de imaginar em ter que ouvir e estar no mesmo ambiente que as pessoas, já me dão náuseas. Ouço coisas, tento de todo modo ser e estar alheio a tudo, mas não consigo. Sinto que incomodo a tantos que me acolhem! É, sei que não devo fazê-lo, mas me angustia ficar assim. Tenho que aprender a me virar, sei disso também, mas aprendi que ninguém é uma ilha, mas sinto que precisamos aprender a ser. Tudo me angustia, não sei se são os outros ou sou eu de fato o problema. Minha sala de aula me enoja de t…